Porquê estas perguntas frequentes?

Ao longo do tempo hesitámos muito em entrar nas redes sociais, onde podíamos ajudar a esclarecer dúvidas. Não percebemos muito dessas coisas e a dedicação que temos que dar aos nossos produtos não nos deixa tempo para efectivamente gerir algo dessa natureza. Por isso até hoje não o fizemos.

Contudo, devido a essas dúvidas, algumas generalizadas, achámos por bem ter um local onde responder às mais pertinentes.

Num fórum talvez houvesse maior flexibilidade e mais diálogo, mas os que existem têm interesses próprios e nós não temos dimensão nem meios para gerir um fórum nosso.

Assim nasce esta secção do nosso site, onde procuraremos dar resposta às questões mais pertinentes e, quem sabe, desfazer alguns mitos aceites por muita gente, mas que na prática não são reais.

O que é preciso para ter um cinema em casa?

A maior parte das pessoas está convencida que basta um bom projector e uma parede branca e fica tudo a funcionar. Resultado: Tem uma imagem grande? Sem dúvida. Melhorou em relação ao televisor que tinha? Provavelmente não.

Costumamos exemplificar usando a imagem de uma pessoa que compra um bom carro e o usa na terra batida. Dependendo do carro (se for por exemplo um jipe) até poderá não se dar mal, acontecendo o mesmo com o projector. No entanto, se adicionarmos uma boa estrada a esse automóvel o resultado é incomparável. Assim, um carro fraquinho numa boa estrada, terá melhor desempenho que qualquer carro de alta performance em terra batida.


Pode haver muito género de sala de cinema, mas para um bom cinema caseiro é fundamental haver uma sala dimensionada para isso, com um bom projector (hoje em dia, pelo menos com resolução FullHD), um sistema de som, um leitor multimédia e uma boa tela/ecrã que permita uma imagem com negros mesmo negros, de preferência sem perder luz nos brancos.

Idealmente, para uma boa sala de cinema, a frente do sofá conviria estar a um mínimo de 4m do ecrã, quase independentemente do tamanho do mesmo, e o projector um pouco mais atrás.

Então o importante é ter contrate de imagem?

Sim, o fundamental para uma boa imagem de cinema é o contraste.

As antigas televisões CRT tinham uma definição péssima. No entanto a imagem era bastante aceitável porque o contraste era elevado.

Uma parede branca ou uma tela branca, mesmo quando usada completamente às escuras, jamais terá um bom contraste, pois mesmo às escuras, as outras paredes, o tecto e o chão reflectirão a luz de volta, o que fará com que as zonas que deviam estar negras fiquem cinzentas.


Então qual é a solução?

Pode-se pintar o tecto e as parede de negro matte (há quem chegue ao exagero de as forrar com veludo negro que absorve a luz) ou pode usar-se uma tela/ecrã chamados "técnicos".

Uma bordadura preta à volta de uma tela não aumenta o contraste da imagem?

Não.

Telas e ecrãs de projecção são coisas diferentes?

Funcionalmente não. Tanto uns como outros existem para disponiblizar uma superfície onde projectar imagem.

A principal diferença é que as telas são maleáveis (podem ser dobradas, enroladas, etc.) e os ecrãs não (são superfícies rígidas).

Também se podem fixar telas flexíveis a um aro para conseguir uma superfície lisa. As melhores incluem esticadores internos a toda a volta de forma a conseguir uma superfície perfeitamente direita.

Quais são as vantagens de uns em relação aos outros?

Se compararmos as telas e os ecrãs a meios de transporte, diríamos que, na fase actual de desenvolvimento, as telas de enrolar andam ao nível dos patins, bicicletas e, eventualmente as melhores, andarão ao nível das motorizadas.

Os ecrãs técnicos (ecrãs com características ópticas especiais), por sua vez, equivalerão ao nível dos automóveis e aviões.

Por outro lado, da mesma maneira que é preciso mais treino para conduzir um automóvel que uma bicicleta, também um ecrã rígido (e com características técnicas) precisa ser colocado e regulado com mais cuidado do que uma tela.

Então o que são telas ou ecrãs técnicos?

À semelhança de um conjunto óptico, por exemplo a objectiva de uma máquina fotográfica, que são constituídas por um grande número de lentes, os melhores ecrãs técnicos têm múltiplas camadas ópticas, chegando alguns a ter mais de uma dezena (nada têm a ver com telas cinzentas ou tintas "mágicas").

É a interacção de todas essas camadas, à semelhança das lentes da objectiva, que permite os resultados excelentes que os mesmos apresentam.

Duas das principais características de um ecrã técnico são a obtenção de negros profundos sem perder brilho nos brancos e a rejeição de fontes de luz que se encontram fora do eixo de projecção, como por exemplo, janelas ou paredes brancas de forma a não estragar a imagem projectada.

É muito importante corrigir a cor do meu projector?

Nem por isso.

E sabemos que, principalmente os especialistas que vendem serviços de correcção de cor, vão estar completamente em desacordo connosco, por questões óbvias.


Regra geral, todos os projectores vêm relativamente corrigidos de fábrica.

Para uma utilização corrente e uns olhos não-treinados, o projector teria que estar muito desafinado para que se desse conta da diferença antes e depois da correcção.

Se você não for um perito óptico, habituado a comparar nuances de cor subtis, não adiantará estar a mexer no seu projector.

Ao olhar com atenção para os filmes comerciais, verá que muitas vezes alguns deles mudam de cor de capítulo para capítulo. E mesmo dentro do mesmo capítulo, há variações de cor, dependendo até das horas a que as cenas foram filmadas.

Para ter um projector corrigido em termos de cor, teria que ter uma correcção para cada filme, e às vezes até para cada cena, o que não faz sentido.

Até a própria cor das paredes da sala, consoante as cenas são mais ou menos brilhantes reflectem mais ou menos luz de volta à tela/ecrã alterando constantemente a cor da mesma. Se tiver um ecrã para ver com claridade, a própria luz que entra da rua varia ao longo do dia e vai influenciar a cor da imagem...

Este é um dos temas em que muitas pessoas se deixam enredar, estando constantemente à procura do chamado "sexo dos anjos" em vez de desfrutar do filme.

Nesta e muitas outras questões, a confusão é lançada pela legião de vendedores de muitas marcas, quer de projectores quer de telas ou ecrãs, que enchem a Internet, estando constantemente à procura de coisas subtis e insignificantes com que possam atacar a concorrência.

O meu projector não tem correcção de trapézio (keystone), mas consegue mexer a lente, como acerto a imagem numa tela inclinada?

Quando um projector está perto da parede, a imagem projectada é pequena. À medida que se afasta a imagem vai aumentando.

No entanto, em condições normais, quando colocado em cima de uma mesa, a imagem projectada é um rectângulo relativamente perfeito. A parte de cima da imagem devia estar muito maior que a parte de baixo (por estar mais longe), mas os projectores vêm preparados para corrigir isso em paredes direitas.

Quando se sobe e desce a lente (e consequentemente a imagem projectada) o rectângulo mantém-se estável, sinal de que o projector compensa o trapézio que, em condições normais, se formaria.

Vamos imaginar que, num ecrã inclinado, a parte de cima da imagem está mais pequena que a parte de baixo. Para corrigir isto, é preciso que a parte de cima da imagem aumente em relação à de baixo. Se baixarmos a lente do projector, para que o rectângulo se mantenha estável, o projector vai diminuir a parte de baixo da imagem (que é exactamente o que queremos). Feito isso, e para voltar a colocar a imagem no ecrã, levantamos os pés ao projector (sem voltar a mexer na lente).

Se fosse ao contrário (se a imagem estiver mais pequena em baixo que em cima), fazemos subir a lente e baixamos os pés do projector (ou, caso os pés não baixem mais, levantamos a parte de trás do projector).